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Inception

“Um filme à frente de seu tempo”, essa é a melhor forma de descrever essa obra-prima. Numa época onde até mesmo os bons filmes são praticamente inexpressivos, é gratificante ver um filme revolucionário.

O diretor Christopher Nolan (um dos meus cineastas favoritos, diga-se de passagem) consegue pegar um conceito de ficção-científica e colocá-lo na tela de uma forma tão realista e recheada de tensão, o que já comum de seus outros trabalhos. Inception é extremamente detalhista, um daqueles filmes que você assiste várias vezes e sempre vê algo que passou despercebido.

É alucinante como as sequências de ação e tiros, a trama científica e o drama familiar do personagem Cobb (Leonardo DiCaprio) coexistem com harmonia e, em diversos momentos, se encontram.

A única falha no filme é a escolha do elenco, um membro do elenco em especial. Leo DiCaprio faz muito bem com um personagem que, visto superficialmente, não exige muito, mas possui várias camadas. Ellen Page, Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt também têm boas performances, com destaque para Page, que faz uma personagem cativante. Meu problema foi com a Marion Cotillard, que é uma atriz excelente, mas me incomodou um pouco nesse filme. Não chega nem perto de estragar as cenas em que ela está, mas eu simplesmente não consigo vê-lá como uma mulher insana, fria e onipresente. Talvez a também francesa Mélanie Laurent fizesse um trabalho melhor como a sombra da defunta esposa de Cobb.

É um filme que funciona bem tanto como um passatempo quanto algo mais complexo, que fala sobre temas como escapismo e superar traumas do passado.

5 months ago, 13 December 2012 às 9:37pm
Sobre a obra de Sofia Coppola

Sofia Coppola, para aqueles que não sabem, é uma diretora e roteirista nova-iorquina,  filha do cineasta Francis Ford Coppola e vinda de um família de artistas (entre eles, os atores Nicolas Cage e Jason Schwartzman).

Esses dias, eu estava conversando com um amigo meu sobre por que o trabalho de Sofia Coppola difere-se da maioria e o que a torna uma cineasta tão especial. Seus filmes são muito bonitos. Não são bonitos porque mostram um romance intenso entre um cara bonitão e a mocinha. São bonitos porque são capazes de comover a audiência e fazê-la pensar sobre os temas ali tratados. Sofia tem uma sensibilidade, um senso de romantismo tão grande que é impossível não se emocionar, não se apaixonar por seus filmes.

O clássico “The Virgin Suicides”, de 1999, é trágico e trata a relação do mundo com as mulheres. “Obviamente, doutor, você nunca foi uma garota de treze anos”, diz a mais nova das irmãs Lisbon quando perguntada sobre sua tentativa de suicídio. O filme fala sobre como os homens não entendem o que se passa na mente de jovens garotas, e você embarca nessa viagem fascinante e misteriosa junto com os vizinhos das irmãs que dão nome ao filme.

Em “The Virgin Suicides”, “Lost In Translation” e “Marie Antoinette”, Coppola fala sobre a sensação de estar perdido, de não ser compreendido, de não se encaixar em algum lugar, mas sem contar três vezes a mesma história. O primeiro é sobre cinco misteriosas e fascinantes irmãs criadas por pais rígidos e que despertam a curiosidade e o desejo de seus jovens vizinhos. O segundo mostra dois norte-americanos em Tóquio, sem saber falar a língua local e se sentindo completamente solitários na multidão. O último narra a vida da rainha francesa Maria Antonieta de uma maneira bem diferente dos livros de História.

Em seu mais recente e semi-autobiográfico filme, “Somewhere”, Sofia te faz pensar sobre sua vida e suas escolhas. Johnny Marco (Stephen Dorff) é um ator famoso e leva uma vida glamorosa cheia de mulheres bonitas e Ferraris. Porém, ele é solitário e, durante uma visita de sua filha de onze anos (Elle Fanning), ele percebe que a convivência com Cleo é sua única chance de se tornar um homem decente e ter pelo menos um pouco de felicidade.

Mesmo com apenas quatro filmes (dirigidos e escritos pela própria), Sofia Coppola é considerada um dos nomes mais importantes do cinema, com seu estilo único e existencialista.

1 year ago, 10 March 2012 às 7:39pm + 2 notes
Feist - Metals

  • Nota: 9

Em seu último disco, lançado em 2011, a cantora canadense Leslie Feist apresentou uma nova faceta. Mais séria, mais melancólica, algumas vezes, parecendo trilha-sonora de uma manhã chuvosa, com uma música mais crua.

As canções de Feist sempre tiveram um estilo parecido com o Broken Social Scene (grupo musical de que ela fazia parte), mas em “Metals”, Arcade Fire e Norah Jones também podem entrar na lista de influências. As letras têm um caráter mais sombrio, mas mesmo assim, mostrando a sensível compositora que Leslie Feist é.

Se “The Reminder” e “Let It Die” tinham fortes singles, como é o caso de “1234”, “Mooshaboom” e “I Feel It All”, talvez você não encontre músicas tão carismáticas em “Metals”. Esse, aliás, é o único pecado cometido na obra. Os destaques vão para a faixa inicial “The Bad In Each Other”, a melódica “Graveyard” e “A Commotion”.

1 year ago, 6 March 2012 às 12:13pm
Florence + The Machine - Cerimonials

  • Nota: 8.5

Quando um artista lança um primeiro álbum bem elogiado, surge uma pressão para um segundo disco, no mínimo, mediano. Florence Welch, a banda de uma mulher só, mudou bastante seu estilo e nos apresenta um disco mais sombrio. Mas calma, a mudança foi para o bem, e “Cerimonials” é um disco muito bem trabalhado.

Se em seu disco anterior, “Lungs”, a britânica apresentou um estilo mais próximo do folk e mais jovial, em “Cerimonials”, a coisa é mais séria, e até apresenta elementos da música gospel e soul, além de ser mais produzido do que o anterior. Como já estou acostumado ao som antigo de Florence, as músicas novas me causaram certo estranhamento, mas posso dizer que minha primeira impressão foi boa.

Por mais que as mudanças de estilo não deem certo em todas as músicas, o balanço geral é positivo. Minhas favoritas foram “Only For A Night”, “What The Water Gave Me” e “Heartlines”.

1 year ago, 27 November 2011 às 8:12pm
Super 8 (2011)

  • Dirigido por: J.J Abrams
  • Estrelando: Joel Courtney, Elle Fanning, Kyle Chandler
  • Nota: 9

No início dos anos 80, em uma pequena cidade de Ohio, Estados Unidos, um grupo de seis jovens em seus 13 ou 14 anos produzem um filme de zumbis. Durante as filmagens, eles presenciam um bizarro acidente de trem, que é o ponta-pé inicial de vários mistérios que começam na cidade.

Sou fã de J.J Abrams e vou no cinema para ver qualquer coisa que leve seu nome – até aqueles filmes que parecem estranhos. Esse não é o caso de “Super 8”, um filme que fui ver com grandes expectativas e me satisfez. Fãs do clássico “ET” (de Steven Spielberg, eca) vão adorar “Super 8”.

Deixe-me começar dizendo que “Super 8” tem muita coisa de “ET” e que isso é algo bom. Não é “plágio”, mas sim uma inspiração. Aliás, Spielberg co-produziu o filme com J.J. No mais, “Super 8” é um prato cheio. A parte do mistério é muito instigante e o espectador consegue ficar na expectativa para conferir a aparência do monstro extraterrestre. O filme é muito bem dirigido e tem efeitos muito bem-feitos. Além disso, as sequências de ação (o acidente de trem, por exemplo) e a história se desenrola de um jeito bastante coerente.

Os seis jovens protagonistas estão bem confortáveis em suas personagens e soam verdadeiros, mas Joel Courtney e a ótima Elle Fanning merecem um destaque extra (a química entre eles é inegável). Motivos não faltam para você ver a mais recente produção de J.J Abrams e Steven Spielberg.

1 year ago, 21 November 2011 às 6:10am
Meia-noite em Paris (2011)

  • Dirigido por: Woody Allen
  • Estrelado por: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard
  • Nota: 9.6

Vou falar rapidamente o quanto admiro Woody Allen e, apesar de algumas produções que deixam a desejar, não tenho receio em ver qualquer filme que leve sua assinatura. Nesse filme em especial, gostei muito da forma que Allen arranjou para fazer uma fantasiosa comédia romântica sobre nostalgia, artes e existencialismo. Além disso, Paris não é apenas um belíssimo plano de fundo, mas também uma personagem fundamental para a história.

O enredo de ‘Meia-noite em Paris’ parece ter sido inspirado naquele velho ditado, ‘dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde’. Gil (Owen Wilson) é um roteirista de Hollywood que, com a intenção de encontrar inspiração para seu primeiro romance, viaja para Paris com Irene (Rachel McAdams), sua noiva. Então, acompanhado de uma das amantes de Pablo Picasso, Gil começa a viajar para o passado da capital francesa e descobre que, sim, a grama do vizinho sempre será mais verde.

A fotografia do filme é impecável e a trilha-sonora caí como uma luva às cenas. Owen Wilson está em um bom momento e mostra que, ao receber um bom texto, pode interpretar direito. As versões caricatas de Picasso, Dalí, Hemingway e Fitzgerald são hilárias. Um dos melhores filmes do ano até agora, recomendo para quem se interessa por artes!

1 year ago, 14 November 2011 às 7:31pm
Raise the dead

Acho que vou ganhar o prêmio de Pessoa com Maior Número de Blogs deletados - já foram tantos que eu até já perdi a conta. Talvez esse tenha o mesmo destino que muitos outros tiveram, mas eu espero que dessa vez, seja diferente.

Para começar, deixe-me apresentar. Meu nome é Gabriel e eu moro em algum lugar desse mundo. Sempre que eu vejo “Annie Hall”, filme do Woody Allen, eu me assusto com as minhas semelhanças com o personagem principal. E eu não falo coisa com coisa. Sempre faço referências a séries que eu gosto, mas o problema é que quase ninguém entende. Sou viciado em café, tenho um senso de humor “peculiar” e, se eu fosse uma mulher, meu nome seria Lorelai Gilmore. Tenho mania de bancar o psicólogo, principal motivo para meus amigos quererem me dar um murro na cara.

Amo cinema, televisão e música. Prepare-se, pois a maioria das minhas postagens será sobre um desses três itens. Espero que você goste de ler meu blog.

- Gabriel

1 year ago, 14 November 2011 às 5:20pm